Mensagem do DIA MUNDIAL DO TEATRO 27-03-2012


Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2012 por John Malkovich

Fico honrado por o ITI – Instituto Internacional do Teatro – me ter pedido para fazer este discurso comemorativo do 50º aniversário do Dia Mundial do Teatro.

Vou então dirigir estes breves comentários aos meus companheiros de teatro, meus pares e meus camaradas.

Que o vosso trabalho possa ser apaixonante e genuíno.

Que ele possa ser profundo, comovente, contemplativo, e único.

Que ele nos ajude a reflectir sobre a questão do que significa ser humano, e que esta reflexão seja guiada pelo coração, sinceridade, candura, e charme.

Que consigam ultrapassar a adversidade, a censura, a pobreza e o niilismo, que muitos de entre vós serão obrigados a enfrentar.

Que sejam abençoados com o talento e rigor para nos ensinar sobre o batimento do coração humano, em toda a sua complexidade, e com a humildade e curiosidade que faça disto o trabalho da vossa vida.

E que o melhor de vós próprios – porque só poderá ser o melhor de vós próprios , e mesmo assim apenas em raros e breves momentos – consiga definir a mais fundamental questão: ‘como vivemos nós’ ?

Desejo sinceramente que o consigam.

John Malkovich

Luis Miguel Cintra fala sobre a peça “Fingido e Verdadeiro” onde coloca o actor face à sua fé dentro e fora do palco .  ( a não perder)

FINGIDO E VERDADEIRO ou o martírio de S.Gens, actor

Adaptação de Luis Miguel Cintra de Lo Fingido Verdadero de Lope de Vega 

Tradução da peça original Luís Lima Barreto

Adaptação e Encenação Luis Miguel Cintra

Cenário e figurinos Cristina Reis

Desenho de luz Daniel Worm d’Assumpção

Actores Cleia Almeida, Dinis Gomes, Duarte Guimarães, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Miguel Melo, Ricardo Aibéo,  Sofia Marques, Tiago Manaia, Vítor de Andrade,  Rubén Ajo e Ángel Martin (bolseiros do Programa Leonardo da Vinci da Comunidade Europeia).

Equipa técnica

Assistente de encenação e contra-regra Manuel Romano

Assistentes para o cenário e figurinos Linda Gomes Teixeira e Luís Miguel Santos

Director técnico Jorge Esteves

Construção e montagem de cenário João Paulo Araújo e Abel Duarte
Montagem e operação de luz e som Rui Seabra

Guarda-roupa, costureira e conservação do guarda-roupa Maria do Sameiro Vilela

Assistente de produção Tânia Trigueiros

Secretária da Companhia Amália Barriga

Cartaz Cristina Reis

Uma desconstrução da peça de Lope de Vega Lo Fingido Verdaderofragmentando-a, reduzindo as personagens, inserindo textos das fontes literárias a que Lope recorreu, e citações de Santo Agostinho, Tertuliano, Louis Jouvet e Jean Genet. O texto original é um exemplo particularmente interessante na produção do autor das comédias de vida de santos. A acção passa-se no século III, no tempo do imperador Diocleciano, e trata-se do mártir S. Gens, um actor que ao representar, a pedido do Imperador, a figura de um Cristão, se converte, e em consequência disso é condenado à morte. A peça de Lope de Vega, apesar de muito pouco representada nos nossos dias, é considerada sempre como uma peça fundamental no conjunto da obra do autor na medida em que, através da própria linguagem teatral, constitui uma autêntica segunda versão da arte poética contida no texto teórico: Arte Nova de Fazer Comédias. O espectáculo pretende ser um divertimento, jogo irónico sobre a Verdade e a Mentira, a Vida e a Ficção, sobre o Actor, fechando uma série de espectáculos que a Cornucópia tem vindo a apresentar em volta do mesmo tema.

Fonte: Teatro Cornucópia / Luis Miguel Cintra