Bernardo Sasseti ( 1970-2012) – O Último Adeus…


Faz no próximo mês um ano que estive à conversa com o Bernardo Sasseti  um pouco antes do período de aquecimento para o espectáculo de bailado que se iria desenrolar no Largo de S. Carlos pela CNB, Companhia Nacional de Bailado  ” Uma Coisa em forma de assim…” pelos  Coreógrafos : Clara Andermatt, Francisco Camacho, Benvindo Fonseca, Rui Lopes Graça, Rui Horta, Paulo Ribeiro, Olga Roriz, Madalena Victorino e Vasco Wellenkamp que estiveram todos presentes.

Recordo-me que em pouco mais que cinco minutos, enquanto ele fumava um cigarro, um pouco a queimar o tempo pelo nervosismo  de entrar em palco, me falava que tinha outra paixão – a fotografia, mas que nem sempre tinha tempo. Eu respondi-lhe que sabia dessa sua paixão e que também sofria do mesmo mal, mas que estava a tentar organizar-me. Falamos ainda mais uns minutos e assim que subiu ao palco para fazer o seu aquecimento disse-me para o fotografar à vontade. Aí percebi quem estava nervoso era eu. Não estava nada à espera que ele fosse tão directo e generoso. Confesso que fiquei um pouco desarmado, mas mesmo assim acabei por fazer algumas fotos. No final do ensaio ainda ficou por ali e perguntou-me – então que tal…estão bem, ao que lhe respondi que sim, mostrando-lhas no display da máquina. De seguida disse, fique com o meu email e mande-me as que estiverem boas. Claro, que lhe enviei também as do espectáculo. E por aí ficamos, apagou o cigarro um pouco apressado e despediu-se. Bem, agora tenho que ir para dentro. Adeus, e estendeu-me a mão, ao que  respondi um pouco a rir – “muita merda para si”. Ele deixou sair um sorriso um pouco rasgado franzindo de seguida o sobrolho, acusando a responsabilidade de se ir expor perante uma plateia de algumas milhares de pessoas, que estavam ali não só para ver a CNB, que é uma excelente Companhia de Bailado, mas também para o ouvir. E isso, ele sabia-o.

Adeus Bernardo…e obrigado

Texto e Cenografia de Fernando de Azevedo – Ballet Gulbenkian, 1982


Aqui presto também a minha homenagem ao artista plástico, designer e crítico Fernando de Azevedo, deixando este pequeno texto publicado pela revista Colóquio Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, onde se pode perceber a sua paixão e dedicação à Cenografia de ballet e do bailado contemporâneo.

Tive a honra de conhecer pessoalmente o pintor Fernando Azevedo por volta de 1979/80 na SNBA.  Uma das minhas paixões era e continua a ser o Ballet. Como se sabe a Companhia de Ballet da Gulbenkian foi durante os anos 80, 90 e até ao seu terminus uma das mais importantes Companhias do mundo. A qualidade da sua programação era do melhor que se dava a conhecer ao público. Independentemente da qualidade artística dos bailarinos, coreógrafos, havia também um importante elemento que muitas das vezes fazia a diferença. Era a qualidade da cenografia. Onde muitos artistas plásticos eram convidados a darem o seu contributo como se pode ler no excelente texto publicado pela Revista Colóquio Artes, número 55 de Dezembro de 1982

O facto é que passados todos estes anos, continuo a achar que falta qualquer coisa na cenografia do Ballet , e que Fernando Azevedo tem razão em afirmar , ” o cenário do Teatro é muito diferente do cenário do Ballet“. Isto, porque passados mais de trinta anos, alguns dos cenógrafos da nossa praça, ainda não  perceberam essa pequena diferença, que acaba por não ser assim tão pequena. 

Giselle : Revenge ( because love is eternal )


 

14 Out. 21:30 | Cineteatro Municipal João Mota

 

 

 

PROART REPÚBLICA CHECA |CZ|

Giselle: Revenge («because love is eternal»)

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Uma história imortal sobre o amor para além da morte.

As semelhanças e diferenças entre o amor físico e metafísico, a verdade e a mentira, o sonho e a realidade. As consequências da traição, do ciúme, da morte e do perdão. Ainda assim, o amor pode continuar. O amor está aqui, para sempre.

Coreografia: Martin Dvořák

Interpretação: Irene Bauer, Martin Dvořák, Lenka Kolářová, Petr Kolář, Mirka Prokešová

Música: A. Adam, P. Pulsinger

Figurinos: Jindra Rychlá

Produção: ProART o.s., Alena Pajasová, Kateřina Boukalová

Versão moderna do ballet romântico Giselle, adaptado numa peça de dança contemporânea para cinco personagens.

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Companhia de Dança de Almada – “Casa do Rio”


Casa do Rio foi inspirada na música tradicional portuguesa, esta criação tem por base a diversidade da cultura nacional.

“…precisava dançar também as minhas raízes lusas. E aqui nasce «Casa do Rio»…, do desejo de estilizar as danças tradicionais portuguesas.

Há influências dos pauliteiros, da chula, do corridinho do Algarve, do fandango, das danças do Minho…

No fim, uma paisagem para todos nós: o Portugal cosmopolita que não perdeu a sua identidade, que se viu colorido e reforçado pela riqueza das diferenças.”  Benvindo Fonseca

Este bailado, é uma homenagem póstuma a Francisco Ribeiro, dos Madredeus, faz parte de uma trilogia alusiva às raízes do coreógrafo. Dela fazem parte as peças “Edzer” (África), “Casa do Rio” (Portugal) e um terceiro bailado, “Muito Chão” (Índia). Todas as peças têm em comum músicas étnicas e uma busca constante de casa. Com a trilogia, Benvindo Fonseca comemora 30 anos de carreira em 2012.

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Sobre o autor :

Benvindo Fonseca

Estudou no Conservatório Nacional de Lisboa, Escola da Fundação Gulbenkian, Nova York, Londres e Paris. Dançou no Grupo Sétima Posição como Solista na Companhia de Dança de Lisboa, como Solista no Ballet Gulbenkian onde foi promovido a primeiro a 1º bailarino e onde trabalhou com Mats Ek, Jiri kylian, Hans Van Manem, Orad Naharin, Itzik Galili, Vasco Wallenkcamp, Olga Roriz, Paul Taylor, Christopher Bruce, Nacho Duato entre outros.

Foi Co-Fundador Director Artístico e Coreografo do Lisboa Ballet Contemporâneo onde coreografou “Uma Noite” com Ella Fitzegerald, “Callas”, “Mermurio”, “Onigen”, “Casa de Bernarda Alba”, “Mar” com música tocada ao vivo pelo grupo Madredeus.

Coreografou também para o Teatro D. Maria I, “O Bando” e Teatro Experimental do Porto. Coreografou para o Ballet Gulbenkian, Companhia de Bailado Contemporânea, Companhia de Dança de Almada, Companhia de Dança de Évora, Stadttheater Hildesheim, Ópera de Berlim (Alemanha) e para o Conservatório Nacional, Escola Superior de Dança e Academia de Dança Clássica Pirmin Treku. Participou em Galas Internacionais em São Pantaleo, Madrid, Sevilha, Miami.

Os seus bailados foram dançados em Espanha, Itália, Alemanha, E.U.A., Cuba, Brasil, Grécia, Polónia. Destaca o solo a “Dança Árabe” de Tchaikovsky, tocado ao vivo por Maria João Pires e o pas de deux “Povo que lavas no rio” tocado ao vivo por Amália Rodrigues, na Mãe D’Água, Lisboa (1997).

Entre os vários prémios que recebeu sobressaem “Jovens na Criatividade” da ONU (1993), tornando-se Embaixador da Boa Vontade da organização; prémio de carreira atribuído pela Associação Primo-Canto (2002); prémio de carreira atribuído pela Câmara Municipal de Oeiras e Revista Dança (2009); prémio pelo projecto coreográfico “Ciranda”, atribuído pela Câmara Municipal de Oeiras (2010).

 Ficha Artística

Coreografia: Benvindo Fonseca

Música: Francisco Ribeiro, Danças Ocultas, Galandum Galundaina, Teresa Salgueiro, Arvo Part

Figurinos: Hobbes A. Góbiras

Cenário: “Vox Populi”, Paula Rousseau

Desenho de Luz: Paulo Graça

Execução de cenário: Camilo António Brazona, Diodata Saião

Sonoplastia: José Pacheco

Intérpretes: Beatriz Rousseau, Carla Jordão, Débora Queiroz, Daniela Andana, Luciano Fialho, Lucinda Saragga, Luís Malaquias, Nuno Gomes, Sofia Silva

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Pedro Osório – O Beijo do Sol


Baseado num canto tradicional do Quénia – Faz parte do álbum “Cantos da Babilónia”

Based on a traditional chant from Kenya – Taken from the album “Chants from Babylon”