Faces & Tranfigurations


Rostos & Transfigurações e o Carnaval

Tranfiguração [do latim transfiguratione ]

«Ela queria fugir, fugir para um país em que ninguém envelhecesse ou morresse, em que a beleza fosse imortal.»

A. Camus

Blue face

A máscara e a transfiguração desde  sempre esteve associado ao fenómeno da fé, e foi através do Sermão sobre o “Dia da Transfiguração do Senhor”, que o Bispo Anastácio Sinaíta no século VII imortalizou essa expressão de mudança e de júbilo. Este fenómeno de acreditar na luz divina e crer em Deus, transforma o individuo por dentro. Hoje este fenómeno está estudado cientificamente por gene de Deus. O acto de acreditar em algo superior produz alterações interiores que se podem considerar transmutações fisiológicas ou mesmo biológicas.

<< Que pode haver de mais delicioso, de mais profundo, de melhor do que estar com Deus, conformar-se a ele, encontrar-se na luz? De fato, cada um de nós, tendo Deus em si, transfigurado em sua imagem divina, exclame jubiloso: É bom estarmos aqui, onde tudo é luminoso, onde está o gaúdio, a felicidade e a alegria. Onde no coração tudo é tranquilo, sereno e suave. Onde se vê a Cristo, Deus. >>

Foi na Igreja da Transfiguração, no Monte Tabor, Israel, que Jesus se transfigurou perante os discípulos  e dizem as escrituras que  <<…o seu rosto brilhou como Sol, as vestes se fizeram alvas como a neve. >>

( Mt 17,1-3)

Transformação, metamorfose, mudança radical na aparência, no carácter e na forma.

Mas, para os comuns dos cidadãos que somos nós, a máscara e a transformação está associada ao Carnaval e ao acto de se tornar no outro, ou seja, libertar-se do seu “eu” para passar a assumir outra personalidade que por vezes não passa só pela mudança na aparência física, mas também na forma e por vezes no carácter .

O Carnaval na antiguidade clássica, Grécia,  era marcado por grandes festas, onde se comia, bebia e participava de loucas celebrações e busca incessante dos prazeres mundanos. O Carnaval prolongava-se por sete dias na ruas, praças e casas da Antiga Roma, entre 17 a 23 de Dezembro. Todas as actividades e negócios eram suspensos neste período, os escravos ganhavam liberdade temporária para fazer o que em quisessem e as restrições morais eram relaxadas. As pessoas trocavam presentes, um rei era eleito por brincadeira e comandava o cortejo pelas ruas (Saturnalicius princeps) e as tradicionais fitas de lã que amarravam aos pés da estátua do deus Saturno eram retiradas, como se a cidade o convidasse para participar da folia.

A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XII, da semana santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra “carnaval” está, desse modo, relacionada com a ideia de “afastamento” dos prazeres da carne marcado pela expressão “carne vale“, que, acabou por formar a palavra “carnaval”. Em geral, o Carnaval tem a duração de três dias, os dias que antecedem a Quarta-feira de cinzas.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Reportagem sobre o Carnaval em Loulé 2013, mostrando uma nova alternativa dos adolescentes na forma de brincar ao carnaval, utilizando os escassos recursos que têm à mão. É como recuar no tempo. Para algumas pessoas , isto é o retomar de uma velha tradição que já existiu no tempo dos seus avós. aqui ficam algumas fotos a preto e branco como eu gosto. è mais visível essa tal transfiguração das expressões de quem está a brincar sem quaisquer tipo de critica e conscientes de que os  intervenientes são eles, que estão identificados pelos macacões que todos sem excepção usam, para se demarcarem dos restantes e se protegerem das pinturas para além da cabeça e rosto.

Fotos: J. Machado

( Ver tb. em Recent Posts : ” Enterro do Carnaval & Transfigurações 2012″  )

 Transfiguração

«Tens agora

Outro rosto, outra beleza:

Um rosto que é preciso imaginar,

E uma beleza mais furtiva ainda…

Assim te modelaram caprichosas,

Mãos irreais que tornam irreal

O barro que nos foge da retina.

Mas nesse novo encanto

Te conjuro

Que permaneças.

Nenhum mito regressa…

Todas as deusas são mulheres

Ausentes.»

Miguel Torga

Poesia de José Alpedrinha – Dia Mundial da Poesia da Árvore e da Floresta


POESIA : TEIAS DE SILÊNCIO

De facto não é preciso ser nenhum dia em especial para se ler e ouvir boa poesia, sobretudo quando lemos algo que nos toca por dentro e nos faz reflectir sobre nós mesmos e os outros.

Aqui deixo um dos muitos poemas, de um grande amigo que partilha comigo a paixão pela fotografia e que sente o mundo vibrar e faz dele a sua poesia.

Este poema é sobre as “árvores” que são uma parte integrante da floresta e sem elas a vida ficaria mais complicada, e por isso também elas se perdem nas “teias do tempo” . São elas  o nosso segundo pulmão e sem elas os pássaros não fazem os ninhos para que o ciclo da vida não se interrompa…

 José  Alpedrinha do Livro  “Teias de Silêncio

CapaLivro Zé

poema_Árvores

Foto_Árvores_Zé_01

Foto de José Alpedrinha

Fragmentos de um Diário Gráfico 1983


Registo  p/ pintura a lápis de cera sobre papel 1983 . s/título .  Tema livre que veio a integrar uma futura série .

Foto tirada num café junto ao palácio do Porto, pelo Nicolau Tudela  ( 01.12.1983) – Série sobre viagem ao Porto  com Pedro Morais, Jorge Colombo e Nicolau Tudela . Exposição de Pedro Tudela .

Este slideshow necessita de JavaScript.

Robert Wyatt


Robert  Wyatt

” Através da música as pessoas podem ser o que quiserem, manifestar o que lhes apetece. É um terreno de fantasia. Não existe nada mais verdadeiro do que a fantasia, porque é um lugar livre, sem restrições. A música liga as pessoas. Ultrapassa barreiras. Através dela é possível ao músico manifestar uma verdade que colectivamente é desejada, mas ainda não expressada. Não são os políticos que iniciam as mudanças. Quando muito respondem às mudanças desejadas por nós. É preciso não perder de vista que existem muitas opções de vida. São os  artistas, não os políticos, que têm essa capacidade de nos mostrar que há outras visões do mundo.”

Robert Wyatt – 2007 em entrevista ao Público

” O sentimento impera na Europa. Já tivemos o medo do comunismo ou medo do terrorismo. Agora temos outro medo. O medo da perda do emprego e daquilo que achamos que o capitalismo garante aos cidadãos- e que é cada vez menos. A música, a arte, a cor do céu, o afecto entte as pessoas, está aí para o provar. A crise não é económica. É o nosso estilo de vida que está em causa. Mas apesar de todos os seus problemas, o mundo continua a ser um lugar óptimo.”

Robert Wyatt – 2010 em entrevista ao Público