O Enterro do Carnaval & Transfigurações


Para muitos historiadores o Carnaval nasceu na Antiguidade Clássica  (Grécia), resistiu à Idade Média e chegou aos tempos actuais com formas muito diversas, mas com o mesmo fundamento: a suspensão dos estatutos sociais. Paradoxalmente, as tentativas da Igreja  em  controlar  o Carnaval, quase sempre se converteram em mais diversão e excessos, dando origem a uma maior critica mais mordaz  ao sistema.

Passados quase 40 anos, começamos já a sentir que há uma mudança na forma e conteúdo como o povo está a procurar encontrar as suas origens e tradições carnavalescas.

Para qualquer cristão o Carnaval é muito importante, é uma etapa necessária para que o espírito fique tranquilo e se prepare durante a Quaresma para a  Páscoa. Etimológicamente a palavra carnaval, do latim carnis levale, significa “retirar a carne”. Hoje sabemos que uma grande parte dos cristãos, conhecidos como não praticantes, não cumprem esta prática, e apenas uma minoria na sexta-feira santa, é que não come carne. A Quaresma vai da quarta-feira de Cinzas ao domingo de Páscoa.

Daí que não se deve deixar o Carnaval morrer. Com crise ou sem ela, cada um deve gozar à sua maneira, mesmo com poucos recursos. Quem andou estes anos todos a roubar o povo é que deve pagar  a crise, assim haja coragem para isso. Afinal, estamos a verificar que as promessas não passam de  meras palavras de circunstância.

O Enterro do Carnaval & Transfigurações

Concordo com o Vasco Pulido Valente quando afirma no Público de 24 de Fevereiro que o Carnaval está a caminhar para o seu enterro.  O Carnaval é ainda hoje uma festa cristã de origem pagã, mas o facto é que uma grande parte do país nestes últimos anos lhe voltou as costas, sobretudo a classe média, que se limitava a gozar o feriado para longe da populaça, de preferência no estrangeiro.

A tradição das “batalhas carnavalescas” ou “assaltos” remontam ao início do século XX, e até ao 25 de Abril funcionaram como escape e transfiguração do sujeito no outro. Com o decorrer dos anos,  foi perdendo  gás e criatividade, dando aos à conhecida influência dos corsos do Brasil, deixando a tradição dos quadros populares que o povo sempre mostrou, com excepções para os Carnavais de província que sempre souberam fazer muito com pouco. Claro, que aqui as autarquias nestes últimos anos foram dando uma mãozinha, sobretudo nas cidades concelhias.

As fotos que aqui deixo são testemunho do que venho assistindo no Carnaval em Loulé,  há já pelo menos três anos. Penso que se trata de uma manifestação muito original e genuína, onde os adolescentes com idades entre os 12 e os 18 anos,  estão a retomar uma velha tradição do verdadeiro Carnaval, ou seja, vê-se que estão a gozar a festa de uma forma muito bastante prática e saudável, sem quaisquer tipo de complexos em assumir que apenas se querem divertir. Para isso, envergam apenas um fato macaco azul e através de body painting vão criando uma “máscara”  atirando e pintando-se uns aos outros, conforme se pode ver nas fotos. À primeira vista parece uma prática um pouco primitiva e rude, mas o facto é que se trata de um “jogo” e é apenas entre eles e os seus grupos opositores (amigos) .

E no  final da festa limpam a cara , apagam a “máscara” e vão todos beber uns copos, conforme manda a velha tradição portuguesa.

Grupo de adolescentes de Loulé : 18/02/12

Fotos : J.MACHADO

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