A Poesia fica o Poeta parte – Rui Costa (1973 – 01.2012 )


Poema inútil com montanha

Vejo a montanha à minha frente pousada

Sobre a água sempre verde, e penso na inutilidade

De tudo o que ela é, e na inutilidade de estar pensando nisto,

Quando um pensamento inútil me sugere

Que a montanha pode ser

Um pormenor pensado por ela

Na paisagem do meu próprio peensamento, para

Com isto me levar a pensar sobre pensamentos,

E não sobre montanhas, ficando ela, como antes,

Pousada na água sempre verde, sem ser

Pensada por ninguém.

Rui Costain A Nuvem Prateada das Pessoas Graves (Edições Quasi) 2005

Com “A Nuvem Prateada das Pessoas Graves”, que publicou em 2005 nas Quasi Edições,ganhou o Prémio de Poesia Daniel Faria e, em 2007, recebeu o Prémio Albufeira de Literatura pelo romance “A Resistência dos Materiais”.

Também em 2007, traduziu o livro de poesia “Só Mais Uma Vez”, do poeta espanhol Uberto Stabile, para a colecção Palavra Ibérica, e em 2008 traduziu “Quarto Com Ilhas”, do poeta espanhol Manuel Moya, para a mesma colecção, na qual publicou, em 2009, “O Pequeno-Almoço de Carla Bruni”.

No mesmo ano, lançou ainda “As Limitações do Amor São Infinitas”, pela editora Sombra do Amor.

Co-organizou a Primeira Antologia de Microficção Portuguesa (Exodus, 2008) e colaborou em diversas publicações, como “Poema Poema – Antologia de Poesia Portuguesa Actual (Huelva, 2006); “A Sophia” – Homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen (Caminho, 2007); “Um Poema para Fiama” (Labirinto, 2007); “Sulscrito” – Revista de Literatura; Revista Big Ode e Revista Piolho nº 2.

Em 2010, estava a trabalhar numa tese de doutoramento em Ciências da Saúde sobre o discurso e experiências de transformação do sector da saúde em Portugal e no Brasil.

Na brancura da pele cheiro o seu perfume.


” A Arte é a única coisa que resiste à morte “ André Malraux ( 1901-1976)

Cada vez me custa mais aceitar que não acredito no mundo, porque isso me leva a deixar de acreditar em tudo que nele está suspenso. Se o virarmos ao contrário talvez se possa retomar algo que se foi perdendo com os tempos. O pior é que essa perda já se propagou para o espaço, e daqui a nada para o universo. Isto tudo porque a procura dos limites não tem limites. Há a ideia que é graças a essa procura que o homenzinho que o Homem tem dentro de si vai evoluindo, e daí ter a necessidade de procurar novos mundos, novas fronteiras para as delimitar. A felicidade é sempre pouca, nunca chega. Quando alguém é feliz, diz-se que não é verdade, o homem na sua breve vida na terra, apenas tem alguns momentos felizes, daí andar sempre á procura de ter mais momentos de felicidade, e nunca está satisfeito, quer sempre mais – é como andar à procura de descobrir quem é Deus, já não é suficiente saber se existe ou não, as pessoas querem mesmo chegar à fala com ele. Saber como tem passado tanto tempo incógnito. Porque não participa na “Casa dos Segredos” e essas coisas assim, como estar mais próximo de todos, acabar com as “Guerras” como as do Iraque e do Afeganistão.

Para mim “ter uma ideia” que nos remeta para um mundo mais próximo da realidade, é muito mais útil e importante que procurar novos mundos e descobrir se existe vida para além da nossa no Universo. Como diria Gilles Deleuze, é muito importante “inventar conceitos novos” para nos  centrarmos neste nosso pequeno mundo já de 7 MM de pessoas, onde a Arte deve  ter uma maior visibilidade e ser valorizada enquanto “ideia”  de reflexão nesta sociedade podre e cheia de vazios.

Não sou própriamente um fotógrafo-jardineiro, mas é verdade que me sinto muito próximo da natureza nos meus jardins imaginários. Os jardim, são o meu refúgio, uns dias no Botânico, outros na Estrela, outros nos Prazeres, e por aí adiante, até chegar ao bosque mais próximo.

Jardinar, é tratar, é observar o crescimento e a morte das plantas, é estudar e entender a arquitectura e estrutura dos seus corpos, e do seu universo, pelo que é importante também compreender o seus ciclos de vida. Saber ver através das cores, se o seu estado está de perfeita saúde ou se está em declínio, como algumas sociedades, ou quando atingem a maturidade para se colherem. Na minha não opinião não se deve colher plantas ou flores em nenhum jardim, muito menos nos meus.

Os Jarros (Zantedeschia) pertencem à família das Araceae, e são originários da África do Sul. Gostam de solo bastante húmido, por isso, é comum vê-los nas margens de rios ou de lagos. Têm folhas verdes brilhantes e as flores são grandes e de uma brancura que se vê à transparência.  São uma planta muito  fácil de cultivar, no entanto há que  ter  atenção à  toxidade da sua seiva.

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” The Show Must Go On ” – Live Shows


Durante muitos anos fui um assíduo frequentador de Jazz. O meu primeiro concerto foi em Novembro de 1973 no Dramático de Cascais, mais precisamente no ” 3º Festival de JAZZ de Cascais“, com Wolfgang Dauner, Woody Herman, Duke Ellington, Young Giants Of Jazz ( Freddie Hubbard, Joe Henderson, Roy Haynes, etc), Roland Kirk, B. B. King ,  Sarah Vaughan, Carl Shroeder (piano), John Giannelli (contrabaixo) e Jimmy Cobb (bateria)… Sei que consegui fazer algumas fotos, numas condições e  ambiente de todos até hoje o mais difícil, pelas razões que se sabem, ou seja, ficou marcado por vários percalços ( cartazes contra a Guerra Colonial, PIDE, etc…) e desde essa data ficou-me o bichinho por captar os grandes momentos de uma actuação.

No caso do Jazz, a música ao vivo tem sempre aspectos imprevisíveis, dado que se tratar de uma música onde a principal característica é o improviso. Mais à frente voltarei a este assunto.

” O espectáculo tem de continuar “

Fotografar um espectáculo ao vivo é sempre um desafio para qualquer fotógrafo, independente da sua experiência. Há sempre restrições por parte das organizações em permitir que um fotógrafo free-lancer, independente como eu, e ainda por cima não credenciado, tenha acesso a zonas mais próximas do palco e dos músicos e daí que na maioria das vezes os ângulos serem muito mais limitados para se obter uma foto capaz. Como já referi acima, desde muito cedo que faço fotografia (11.1973) e enquanto espectador, tenho assistido a imensos concertos ao vivo e tenho podido testemunhar o espectáculo dentro do espectáculo, onde dá para perceber os comportamentos e as manifestações dos diferentes públicos de cada banda e de cada área musical.

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É um verdadeiro exercício poder captar imagens dos vários intervenientes nestes shows, a começar pelo publico que vai extravasando a sua alegria e curtindo a música em sintonia com os músicos, e poder ao mesmo tempo comparar com outros públicos de outros tempos a que tive o privilégio de assistir.

Fotos dos concertos da Diana Krall ( Portimão, 2009) ;  DEOLINDA na FATACIL ( Algarve, Agosto.2011); DANÇAS OCULTAS e os  TROVANTE ( Festa do AVANTE 2011);

Fotos : J.MACHADO