NATAL (já) NÃO É QUANDO UM HOMEM QUISER…!!!


“Dia de Natal”  do livro ” A Criança e a Vida ”  Mário

Poesia dita por ahcravo  http://ahcravo.wordpress.com/tag/a-crianca-e-a-vida-mario-ahcravo/

Afinal o conhecido provérbio popular de que ” Natal é sempre que um Homem quiser !!!  ”  sempre foi falso, e a realidade também.

A realidade tem muitas facetas e a massificação dos media tem contribuído em grande escala para distroçer a visão do mundo. Daí Saramago dizer que “… o Mundo está a ficar míope, porque o homem está a perder a Visão “. Hoje é um facto. Quer se goste ou não do Nobel, ele tinha e tem razão, porque se tornou imortal.

A imortalidade é só para os  Homens com Visão que nos deixam obras cuja dimensão nos obriga a reflectir, digo eu.

NATAL NÃO É QUANDO UM HOMEM QUISER É,  SÓ, QUANDO PUDER… !!!

A “Flor-do-Natal” que dá Boas Festas é tb “manhãs-de-páscoa”


Tenho uma  Flor-de-Natal,que no Natal não dá flor. A minha planta que não é uma planta qualquer só dá flor nas manhãs da Páscoa. É um arbusto que atinge alguma volumetria, e ao contrário do que se pensa é uma planta de exterior, quer dizer de rua.

Euphorbia pulcherrima – Wild. ex Kbozch
Nome vulgar : Manhãs-de-páscoa

poinsétia, também designada pelos nomes de bico-de-papagaiorabo-de-arara e papagaio (no Brasil), cardeal,flor-do-natal, ou estrela-do-natal,é uma planta originária do México, onde é espontânea. O seu nome científico é Euphorbia pulcherrima, que significa “a mais bela (pulcherrima) das eufórbias”.

É uma planta muito utilizada para fins decorativos, especialmente na época do Natal, devido às suas folhas semelhantes a pétalas de flores vermelhas. Como é uma planta de dia curto, floresce exactamente no solstício de Inverno que coincide com o Natal no hemisfério norte.

Efectivamente, aquilo que muitas pessoas julgam ser flores são apenas brácteas modificadas que envolvem as pseudo-umbelas onde estão as pequenas flores, envolvidas por uma camada de tecido verde e uma glândula amarela que nasce apenas num dos lados da flor.

História
Vinda da América Central, mais especificamente da região de Taxco del Alarcon, a planta era denominada pelos astecas de “cuetlaxochitl”. A planta era utilizada por este povo para a produção de tintas usadas na cosmética e tingimento de tecidos, além de usarem a sua seiva na produção de medicamentos contra a febre. Ainda hoje se utilizam aí as poinsétias de brácteas esbranquiçadas para a produção de cremes depilatórios, além do seu cultivo para a formação de sebes.

Terá sido talvez a partir do século XVII que a planta começa a ter um significado natalício, quando frades franciscanos começam a utilizá-la numa procissão desta quadra, designada por “Festa de Santa Pesebre”. As brácteas vermelhas começaram a ser associadas simbolicamente, pela sua forma, à estrela de Belém.

Os floricultores, especialmente os da Escandinávia e da Califórnia, foram os responsáveis pela obtenção de variedades cultivares mais adaptadas à decoração doméstica, quer pelo tamanho (já que estas plantas chegam a formar arbustos ramificados que atingem 3 m de altura, principalmente se plantadas no exterior), quer pela coloração e padrão de cores presente nas brácteas. Há, assim, poinsétias cor-de-laranja, verde pálido, marmoreadas, salpicadas, etc.

O nome poinsétia (poinsettia, em inglês) deriva do nome de Joel Roberts Poinsett, que foi o primeiro embaixador dos Estados Unidos da América no México. Impressionado pelas cores das brácteas, Poinsett enviou alguns exemplares em 1829 para a estufa de sua casa, onde se desenvolveram com facilidade. Poinsett ofereceu muitas destas plantas a amigos que também se interessavam pelo cultivo de flores, como John Bartram que, por sua vez, doou alguns pés da planta para Robert Buist, dono de um viveiro. Este último, desconhecendo o nome científico Euphorbia pulcherrima dado pelo taxonomista alemão Klotzsch em 1833, decidiu vendê-la com o nome Euphorbia poinsettia.

Perigos ( não só para quem gosta de “PLANTA” ao pequeno almoço)

 
A seiva leitosa da planta, constituída por um tipo de látex irritante, em contacto com a pele e mucosas provoca inflamações, dor e comichão, podendo causar também irritação nos olhos, lacrimejamento, inchaço das pálpebras e dificuldades na visão. A sua ingestão pode causar náuseas, vómitos e diarreia. É falso, no entanto, que possa provocar a morte. A atribuição de propriedades letais à poinsétia terá tido origem num boato que terá começado nos Estados Unidos com a morte de uma criança de dois anos em 1919, depois de esta ter comido uma folha de poinsétia. Estudos sobre a toxicidade desta planta parecem indicar que só após a ingestão de grandes quantidades (mais de algumas centenas das suas folhas) é que a vida de alguém poderia estar em risco. A razão desta crença pode dever-se ao facto de a maioria das euforbiáceas, família de que a poinsétia faz parte, serem altamente venenosas.

“Resíduos” e o Natal ( Centro Comercial )


BENS MÓVEIS SEM USO – USELESS ( Resíduos )

Resíduos – São materiais sem uso que se amontuam por todo o lado, sobretudo em armazéns fechados à espera de vez para serem fundidos, isto porque, a sociedade os considera como “objectos inúteis“, ou seja, são coisas de uma época e de um passado recente 

A industrialização obriga a que cada vez mais se desperdiçem bens móveis considerados fora de moda. É a lógica de uma sociedade de consumo, para que a máquina volte a produzir o maior números de produtos pelo menor custo. É assim que a conhecemos deste Taylor e Weber até aos dias de hoje. Nada mudou. Os objectos têm que ter uma vida muito mais curta. Ponto final.

Hoje sabemos quais os custos que estão implícitos neste processo. O ambiente  está cada vez mais afectado e a sofrer com a poluição lançada directamente para a atmosfera. É um facto, mas não se vêm melhorias significativas. E todos sabemos porquê.

Sabe-se também que por outro lado, que uma das soluções já há muitos anos proposta e com bons resultados, passa pelo reciclar e reutilizar ( regra dos 3 R). Aqui chamo a atenção muito especial para o papel dos designers, pois é cada mais urgente terem uma posição muito firme neste processo. É importante, terem uma atitude mais pedagógica e proactiva, ou seja, podem voltar a re.designar (reciclar – designar- reutilizar) as mesmas peças em vez de as mandarem para a sucata e assim voltar de novo ao  mercado.

O que fica das coisas e o que permanece do design ? Há uma memória que se vai perdendo, á medida que a velocidade da industrialização e automatização vai dispensando cada vez mais postos de trabalho e gerando mais desemprego, mais desigualdades  sociais e miséria.

A ciência avança, e ainda bem, mas sabe-se que infelizmente  estamos a caminhar a passos largos para um novo modelo de sociedade “capitalista sem regras”, onde a lei de mercado vai ser feita à custa da mão de obra dos  “escravos” dos tempos modernos.

É um paradoxo, mas aqui há trinta anos pensava-se que a industrialização gerava mais mão de obra ( postos de trabalho) , mas estamos a assistir a outra lógica totalmente oposta.

A questão é esta. Sem empregos e sem dinheiro,  quem compra  as novas tecnologias se não há  dinheiro para se adquirirem estes novos produtos. O ciclo da produção entra em ruptura. Nem a China produz nem os EUA e a Europa compram. Como fica o mundo com mais de 7 Mil Milhões de pessoas ?

Colapsa-se ou entra-se em Colapso ?

JÁ É NATAL !  CORRE AO CENTRO COMERCIAL E COMPRA A TUA FELICIDADE…

Fotos: J.Machado ( 2003/5)

Sem Pés nem Cabeça & Afrodite (…nada se perde, tudo se transforma.)


“O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.                                                     O que há é pouca gente para dar por isso (…)” 

(Álvaro de Campos)

SEM PÉS NEM CABEÇA

Quando se diz que  uma coisa não tem pés nem cabeça, então quer dizer essa coisa não faz qualquer sentido, não tem nexo.

As fotos acima são testemunho de um acto de puro vandalismo, pois trata-se de uma obra escultórica entre outras que foi destruída por jovens adolescentes referenciados como “crianças de risco”, que ficaram à guarda da Segurança Social numa Instituição de Solidadriedade Social (IPSS). De referir que essa instituição tem um pequeno jardim cuja traça é de modelo francês, ornamentado por figuras míticas gregas e foram todas destruídas/mutiladas sem excepção. Sabe-se  que se tratam de  esculturas do primeiro quartel do século XX, e que a da foto  ficou literalmente sem pés nem cabeça.

MUTILAÇÕES NA HISTÓRIA & NUM  JARDIM  PERDIDO

As mutilações não são casos único na História, os romanos fizeram aos gregos, os franceses por onde passaram deixaram a sua marca, os alemães a mesma coisa, etc. A história repete-se. No caso dos romanos, a escultura que mutilaram e que permaneceu em maior mistério foi a Afrodite. A história encarregou-se de lhe fazer justiça, não pela forma mas pelo “sentido” que o mito em si mesmo transporta. Um modelo de canone, e  de harmonia que foi adquirindo ao longo dos séculos.

É caso para nos questionarmos o que seria da Vénus de Milo se tivesse os braços, deixava de ter o sentido estético que hoje lhe damos, não quero dizer com isto que faça sentido destruir uma obra de um artista menor para que futuramente a sua obra ganhe um novo “sentido”, com maior equilibrio, que na minha opinião ficou é mais equilibrada do que se tivesse os braços. Há simulações feitas em computador e a figura perde a “beleza”    e o encanto porque nasce nela algo que a destabiliza. Sei que parece um paradoxo, mas neste caso é preferível que se respeite os acontecimentos da História. Está mutilada, fica mutilada, conforme está.

Uma Segunda Pele…

No caso das esculturas mutiladas no Jardim da IPSS, o tempo dirá. Uma mutilação é sempre uma mutilação, por mais que se restaure e disfarce as fissuras, o acto está lá. É como uma pele.Tem uma história, uma carga simbólica. Não há remendo que possa apagar semelhantes actos de  vandalismo. As obras de arte são isso mesmo, são o testemunho de uma época.

Não sei precisar qual foi o filósofo que dizia que  ” A  arte é o que nos torna Humanos e diferentes dos Animais”.

A Vénus de Milo representa  a harmonia que a arte grega veio instituir como um canone de beleza e proporção estética. É uma estátua que representa a deusa grega Afrodite, deusa do amor e da beleza física, tendo ficado no entanto mais conhecida pelo seu nome romano, Vênus. É a mais importante das obras mutiladas.

O seu provável autor é Alexandre de Antióquia. Segundo o Oxford Dictionary of Art, é a estátua antiga mais famosa do mundo. Pertence ao acervo do Museu do Louvre, Paris.

SANDRO BOTTICELLI : RETRATOS DE  VÊNUS

Ao referir o exemplo da mutilação de Afrodite ( gregos) ou Vênus de Milo ( romanos), lembrei-me precisamente que há  quatro anos por esta altura tive o privilégio de poder revisitar pela segunda vez o Museu da “Galeria Uffizi” em Florença, e poder ver ao vivo as célebres pinturas de Vênus do genial Sandro Botticelli.

Sempre que se faz uma abordagem às Vênus de Botticelli é inevitável não se falar da Afrodite do Louvre, como paralelismo entre os canones estéticos que as separam. Visitar um Museu italiano e poder ser “guiado” por um mestre  em História de Arte é sempre um privilégio ver as obras “face a face”.

O Nascimento de Vênus
Sandro Botticelli (cerca de 1485)
Têmpera sobre tela, 1,72.5 x 2,78.5 cm
Galeria Uffizi, Florença

“Na Natureza nada se Cria, nada se Perde, tudo se Transforma”  Antoine Lavoisier

Com Cabeça Tronco & Membros (alguns)

Não faz sentido nenhum dizer que uma peça escultórica não tem pés nem cabeça, quando não se percebe o seu significado ou mensagem da obra, pois o seu verdadeiro “sentido” nunca se perde, ele está sempre presente mesmo que perca os braços, os pés ou a cabeça.

Nesta última foto podemos ver que a tal cabeça afinal não se perdeu, é como o Lavoisier dizia, na “Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma“, ou seja, obteve-se uma nova composição, que nos obriga a olhar com alguma perplexividade  para o chão, como se de uma obra de arte contemporânea – conceptual se tratasse.

Fotos : J.Machado

Fonte : Wikipédia ; A Nova History de Arte de H. W. Janson ( FCG )  ;

Incidentes do Acaso : Parar, fechar os olhos e ver ( J. Saramago )


“Entre o momento captado na película e o momento em que olhamos a fotografia, existe sempre um abismo.”

John Berger

Os meros acasos não existem. Nada é ao acaso. As imagens mistério, que surgem do escuro, não são inventadas, elas sempre estiveram lá, mas nem sempre se consegue ver à primeira vista.

Há um abismo entre o acto de olhar para a cena e o momento em que se está convencido que é aquela imagem que se quer captar . Não é bem assim, até porque acontecem muitos imprevistos, nomeadamente quanto ao facto de algumas imagens ficarem desfocadas e aí se obter uma nova realidade, que se pode entender como uma não visão. Nas desfocagens o observador fica com alguma dificuldade na leitura, é verdade, mas também é verdade que a sociedade cada vez mais sofre de míopia.

José Saramago tinha razão no “Ensaio sobre a Cegueira” quando referia que o mundo está a ficar sem visão,  (…) “ter olhos quando os outros os perderam. Parar, fechar os olhos e ver“.

“Incombrum ” Francis Ponge


 

O pinheiro vive no interior do pinhal e é a árvore que mais madeira fornece.

(…) O pinhal é uma lenta fábrica de madeira morta.

Le Cahier de bois de pins – Francis Ponge

La Suchère , publicado em 1947 .

Incombrum : monte de madeira cortada.