O Meu Voo Nocturno – Cidade de Lisboa


“Quanto mais me elevo, menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar.”   Nietzche, Friedrich

Voo Nocturno

Agora já não vejo o sol
nem o seu reflexo lunar
levo as asas nos bolsos
e o coração a planar
neste voo nocturno
não sei onde vou aterrar

Sinto as nuvens nos meus pulsos
e o leme sempre a consentir
são sempre os mesmos ossos
que eu insisto em partir
neste voo nocturno
só quero mesmo resistir

Neste voo nocturno sou mais leve do que o ar
neste voo nocturno não sei onde vou acordar

Em baixo há manchas no canal
mas eu não as quero ver
o aeroplano está frio
e as hélices a ferver
o nariz do avião
só obedece a quem quiser

Agora não existe nada
o meu motor “ao ralenti”
vou revendo em surdina
tudo o que eu vivi
neste voo nocturno
a madrugada vem aí

Jorge Palma

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O Navio de Espelhos de Mário Cesariny


O Navio de Espelhos

O navio de espelhos
não navega cavalga

Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele

Os amadores não amam
a sua rota clara

(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada
nada leva à partida

Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta

(E no mastro espelhado
uma espécie de porta)

Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto

Quando um se revolta
há dez mil insurrectos

(Como os olhos da mosca
reflectem os objectos)

E quando um deles ala
o corpo sobre os mastros
e escruta o mar do fundo

Toda a nave cavalga
(como no espaço os astros)

Do princípio do mundo
até ao fim do mundo

ESTADO SEGUNDO, XXI

Ama como a estrada começa

Mário Cesariny
(Lisboa, 9/8/1923 –  26/11/2006)
Pintor e poeta, fundador do Movimento Surrealista Português.

Os silêncios e vazios dos não-lugares (ausências)


O que ainda não está , o que veio e transita, o que já não está.  

O lugar só  espaço e não lugar,  o lugar ocupado em portanto,

nomeado,    o lugar outra vez espaço e depósito do que fica. “

José Saramago , “Manual da Pintura e Caligrafia”  ( 1977, p. 170)

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Não-lugares são espaços de abandono e de ausência

A sociedade capitalista (pós-moderna) é cada vez mais geradora de não-lugares que por sua vez criam de espaços de abandono e de ausência, onde a indiferença é a principal responsável pelo isolamento do sujeito enquanto membro social.

 

Reflexos : O passado e o presente – Energia eólica


“Os homens trazem dentro de si não somente a sua individualidade, mas a humanidade inteira, com todas as suas possibilidades.”  Goethe

Energias e Sinergias

Esta janela é a mostra de duas realidades bem actuais no nosso país profundo. Situada  numa pequena aldeia do  interior e isolada na serra ,  é bem visível esse contraste. Continuam a ser duas realidades bem diferentes em muito dos casos.

No reflexo do vidro da janela, podemos ver que quer a cesta quer a vasilha, hoje apenas servem como elementos decorativos, já não são usados para as suas antigas tarefas. São sinais de um passado recente, mas que estão bem presentes na memória das gentes do mundo rural.

Como todos sabemos as energias renováveis são uma alternativa às energias fósseis, e são uma forma de se diminuir o efeito de estufa. No caso português, estamos a assistir a uma re.florestação de torres eólicas em excesso por todo o país. O que a meu ver não está a deixar espaço e investimento para as outras energias, como seja o caso da solar. No presente caso da energia eólica, o processo é muito simples, basta unir sinergias :

Energia Eólica

O vento é aproveitado para pôr em movimento as pás dos aerogeradores, transformando a energia eólica em energia mecânica. Os aerogeradores possuem um gerador que transforma a energia mecânica em energia eléctrica. A energia acumulada em geradores é depois distribuída pelos consumidores, ou seja, a energia volta a entrar na rede de eléctrica e distribuída pelas populações. Aqui o preço a facturar devia ser mais baixo que a gerada pelo anterior processo. Mas, infelizmente parece que não é.

A arte é o que nos torna humanos … desconstruir os lugares comuns.


A fotografia tem que ser entendida como desmaterialização dos objectos. Foto de foto e  a sua desfocagem representa  uma transmutação do real, obtendo uma visão abstracta onde entra um terceiro elemento que através de uma forma geométrica vem acrescentar uma nova leitura, “desconstruir” um lugar comum. Tal como na pintura, aqui a fotografia ganha uma nova dimensão mais plástica, muito embora deixe aqui vincado a marca do “copy e paste”, referência à super modernidade, deixando a citação à margem.