CPBC – Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo


A CPBC estreou mais um fabuloso espectáculo nos dias 1, 2 e 3 de Julho no Auditório Fernando Lopes Graça no Parque de Palmela – Cascais

Aproveito para dar os meus parabéns a todo o elenco da companhia, aos bailarinos e aos coreógrafos André Mesquita, Vasco Wellenkamp e Patrick Delcroix pelo excelente espectáculo de grande nível que nos proporcionou.

Gostei de todas as peças, mas não posso esconder que a que mais me tocou foi  “Last Time Touched” da autoria de Patrick Delcroix.Foi uma  noite  inesquecível.

  Um abraço especial para o  Guzman Rosado  e um beijinho para a Susana Lima ( nas fotos ) ;

Programa:

A Terceira Sugestão – The Third Suggestion 
(30 min)
Direcção Artística e Coreografia: André Mesquita (com participação do elenco)
Assistente do Coreógrafo: Teresa Alves da Silva
Música: Arranjos de Guzmán Rosado sobre Ikeda, Radian,
Christian Fennesz e Ryuichi Sakamoto
Figurinos, Luzes e Elementos Cénicos: André Mesquita
Intérpretes: Emílio Cervelló, Raquel Dias, Ricardo Freire, Susana Lima, Liliana Mendonça, Ana Rocha Néné, Gustavo Oliveira, Isadora Ribeiro, Guzmán Rosado, Cláudia Sampaio

A proposta do coreógrafo André Mesquita sucede ao convite de Vasco Wellenkamp para coreografar pela primeira vez para a CPBC e tem inspiração e foco no livro Wanderlust – A History of Walking de Rebecca Solnit. Esta peça responde à condição de continuidade no trabalho do criador e fecha um ciclo de três obras que inclui: Suggestions for Walking Alone (TOK’ART/2010) e We Don’t Have To Think Like That Anymore (Danish Dance Theater /2010).

Passacaglia
(20 min)
Coreografia e Luzes: Vasco Wellenkamp
Música: Anton WebernPassacaglia para Orquestra, Opus 1
Figurinos: Vasco Wellenkamp e Liliana Mendonça
Intérpretes: Fábio Pinheiro e Patrícia Henriques

“Como se um Romance pudesse estar contido num único suspiro. A música é delicada, rica em sugestões, ilusiva e nervosa.” Assim descreve Schoenberg a música de Webern, seu aluno e amigo. Passacaglia para Orquestra, Opus 1 é uma obra difícil com a qual me debati e à qual voltei em diferentes momentos da minha vida enquanto coreógrafo. É uma peça sem andamentos, que na sua continuidade traça um percurso emocional através de diferentes estados de alma. O crescendo único, do princípio ao fim da música, introduz já o dodecafonismo, mas tem ainda ecos do fim do romantismo, da tradição romântica vienense da qual Webern se considera herdeiro.
Ligo esta tensão no interior da música à tensão da própria vida, à dificuldade da mudança, à dor da mudança. Esta tensão e esse crescendo, que pode também ser entendido como o percurso da paixão
humana, criam uma atmosfera dramática que é trabalhada coreograficamente. Sofrendo a influência viva da música a coreografia transporta-a para essa outra forma de linguagem que procura estar o mais próxima possível desse primeiro e motivador sentimento.
As cadeiras criam um espaço de intimidade para os dois seres humanos que se debatem nos picos mais intensos e mais serenos da música deixando que o gesto dos seus corpos seja também capaz dessa
serenidade e violência. De modo a que esse gesto, o movimento e a técnica se tornem gesto maior, essa elaborada forma de movimento que é a dança. A vida destas duas pessoas é simultaneamente a de um único e a de um arquetípico par.
Este pas-de-deux é uma forma de ouvir a música e é uma forma de a dar a ouvir para além dela.
Vasco Wellenkamp

Last Time Touched
Coreografia, Luzes, Figurinos: Patrick Delcroix
Música: The Elysian Quartet – Gabriel Prokofiev, String quartet nº 1 (hip hop remix); Ludovico Einaudi, Uno, Ultimi Fuochi, Ascolta, Il viaggio
d’Inverno; Whitetree, Derek’s Garden.
Figurinos: Liliana Mendonça
Intérpretes: Emílio Cervelló, Raquel Dias, Ricardo Freire, Susana Lima,
Liliana Mendonça, Ana Rocha Néné, Gustavo Oliveira, Fábio Pinheiro, Isadora Ribeiro, Guzmán Rosado, Cláudia Sampaio

“Antes de virar a última página da nossa história, levada no acaso da vida, querer tocar pela última vez uma pessoa antes que ela nos deixe.”

Patrick Delcroix

Delcroix é um coreógrafo que tem tido um crescente sucesso internacional e cuja linguagem, extremamente pessoal, é marcada pelo rigor e pela depuração. Em 2009 remontou o bailado “cherché, trouvé, perdu” para a CPBC tendo voltado agora para criar pela primeira vez uma obra original para a companhia.

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