As ovelhas negras… – the black sheep stray


” A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos.”

Mia Couto ( Prémio Camões )

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 Uma imagem vale mais que mil palavras.

Fotos : J. Machado

O Mar – The ocean gives and takes.


Blue comes the flood

Do azul do mar salgado surgiu a vida e com ela veio a tempestade.

The ocean gives and takes.

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“Ondas”

Onde – ondas – mais belos cavalos

Do que estas ondas que vós sois?

Onde mais bela curva do pescoço

Onde mais bela crina sacudida

Ou impetuoso arfar no mar imenso

Onde tão ébrio amor em vasta praia?

Sophia de Mello Andersen

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Mar, metade da minha alma é feita de maresia.

O cheiro nu da maresia, perfume limpo do mar sem putrefacção e sem cadáveres, penetrava tudo.

Sophia de Mello Andersen

Janela da Alma – Evgen Bavcar


“O essencial é invisível aos olhos, ele está na alma.”

Saint-Exupéry

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Evgen Bavcar nasceu numa cidade da Eslovênia em 1946, sendo naturalizado mais tarde cidadão francês, e ainda criança sofreu dois acidentes que lhe roubaram a visão.

O que a fotografia torna acessível não é um retrato fiel da realidade, mas sim uma “expressão verdadeira” do encontro com outra realidade imbuída nas imagens do (in) visível.
Da mesma forma que outras artes visuais, a fotografia não evoca nada, pelo contrário:
(…) dá existência visível ao que a visão profana crê invisível, faz que não tenhamos a necessidade de “sentido muscular” para ter a voluminosidade do mundo. Essa visão devoradora, para além dos “dados visuais”, dá acesso a uma textura do Ser da qual as mensagens sensoriais discretas são apenas as pontuações ou as cesuras, textura que o olho habita como o homem sua casa. (Merleau-Ponty, 2004: 20)

Para mim falar de Evgen Bavcar enquanto fotógrafo não é difícil, se nos limitarmos a olhar só para as suas fotos. O mais surpreendente é quando conhecemos o seu percurso e a sua falta de visão, e aí nos interrogamos como é possível ele ver para além da máquina. Pelas fotos que são divulgadas podemos ver que são de muita qualidade, quer nas composições mais simples passando pelas mais elaboradas.

Evgen não fotografa com a vista mas com a “alma”, ou como ele próprio lhe gosta de chamar,  o “terceiro olho”. Daí que a “janela da alma “ nunca está fechada para o mundo, por ela ele vê e sente o que o rodeia.

A ausência da visão física não constitui um impedimento de um “olhar” para o mundo e nem cessa a produção de imagens. Ao reconhecer como Merleau-Ponty (2004), que o corpo não está na ignorância de si, não é cego para si, ele erradia de um si, vislumbra-se a arte fotográfica a partir de uma instância do real possível, uma realidade impressa subjectivamente, atravessada por unidades de sentido imersos e submersos no “tecido do mundo”.

“Fiquei cego em consequência de dois acidentes. Sou inválido de guerra. Primeiro, um acidente me atingiu o olho esquerdo. Depois, um detonador de minas atingiu-me o olho direito. Sou realmente uma vítima de guerra, posterior à guerra.”

Cerca de quatro anos depois dos acidentes, Evgen teve o seu primeiro contacto com uma câmera fotográfica e pode perceber que a sua deficiência não o tornava ineficiente. O que mais me impressiona em Evgen, além da sua qualidade brilhante como fotógrafo, é a sua sensibilidade e o facto de ele falar sobre os motivos pelos quais fotografa e o que fotografa.

(…) Já era cego quando tirei minhas primeiras fotos, no colégio. Na época, minha irmã tinha comprado uma Zork 6, uma máquina russa… Ela me emprestou a máquina, e tirei algumas fotos de colegas da escola. Depois, levei o filme a um fotógrafo, que já morreu. Ele o revelou, e aconteceu o milagre: lá estavam as imagens. Fiquei chocado e surpreso. Disse a mim mesmo “não vejo as imagens e, contudo, sou capaz de fazê-las”. (Janela da Alma, 2002)

“Isso é muito importante. Não devemos falar a língua dos outros, nem utilizar o olhar dos outros, porque, nesse caso existimos através do outro. É preciso tentar existir por si mesmo.”

Evgen explica no documentário como ele supunha ter  fotografado o invisível mostrando uma foto que tirou da sua sobrinha Veronica num campo, ele disse que pediu para que ela corresse e saltasse com um sininho para ele a poder “ver” e ouvir.

Sobrinha Veronique

Sobrinha Veronique

Fotografias  do invisível :

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Evgen no filme “Janela da Alma”  conclui o seguinte :

-Para mim, a linguagem e imagem estão ligadas, isto é, o verbo é cego, mas é o verbo que o torna visível. Sendo cego, o verbo torna visível, cria imagens… graças ao verbo, temos as imagens. Actualmente, as imagens se criam por si mesmas, deixaram de ser o resultado do verbo (…).
É preciso que haja um equilíbrio entre o verbo e a imagem. Por exemplo, Michelangelo não viu Moisés! Ele não foi segui-lo no Monte Sinai. Não viu como o Decálogo foi lançado sobre o bezerro de ouro. Mas leu o texto.

In (Janela da Alma, 2002)

Fontes:  (1) Merleau-Ponty, Fenomologia da Percepção ( 1999) ; 
–  Elida Tessler, Evgen Bavcar :Silêncios , Cegueiras e alguns Paradoxos quase invisíveis ;
–  Naves, Maira Allucham : A Produção de Sentidos na Arte Fotográfica de Evgen Bavcar ;

Benedikt Taschen à conversa com Sebastião Salgado : Genesis


The world premiere of Sebastião Salgado: Genesis unveils extraordinary images of landscapes, wildlife and remote communities by this world-renowned photographer.

Two men, one mission: Salgado talks with Benedikt Taschen about the photographic project that changed his life.

Brussels & La Maison de Monsieur Sax ( Ville de Dinant)


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Bruxelas 

É uma cidade muito interessante e bem organizada, e que cada vez mais me faz ver a arquitectura com um olhar mais atento para os pormenores do urbanismo, a que por vezes nos escapam nas primeiras visitas. Sempre que visitamos uma cidade, devemos sentir o pulsar do seu dia a dia. Esforço-me sempre por o fazer, envolvendo-me com a população, utilizando os transportes públicos. Começo por comprar ticketes para os transportes como o trem, auto-bus e metro e que também permitam  aceder a museus. É a melhor forma de se conhecer uma cidade, basta para isso ter um bom mapa que tenha pelo menos o esquema do metro e dos autocarros, e dos locais a visitar. No caso de Bruxelas, devo confessar que em qualquer uma das vezes que a visitei, verifiquei que na questão dos horários, eles andam sempre à hora marcada.
Em relação ao tempo, devo dizer que é do mais instável que há. Diz quem lá vive há já muitos anos, que o mês de Maio é o mais incerto de todos. Muda de estação a cada trinta minutos. Quase todos os dias, apanhamos chuva, sol, vento e frio. É uma questão de hábito e de adaptação ao meio. E nós portugueses, nesse aspecto temos um dom que nos distingue de todos os outros povos. Não sou eu que o digo.
Desta vez não tive oportunidade de visitar mais nenhum museu além do militar e do ar. O tempo não chegou para tudo. Notei que há um forte crescimento de bairros habitacionais da periferia, que ainda estão em construção. Aliás esse facto também é visível no centro. Mesmo ao lado do edifício do Concelho da Europa, está em fase de construção mais um novo edifício, para os tecnocratas da UE, a que já chamam o “Ovo“, dado a sua configuração. Pude ainda dar uma olhadela pelo mais recente livro do fotógrafo Sebastião Salgado “Genesis” na livraria e editora Tashen.
GALERIA TASHEN
Não quero deixar de passar em claro “GENESIS ” , a edição do mais recente livro do fotógrafo Sebastião Salgado que está a ser lançado por toda a Europa pela editora Taschen, que já tive oportunidade de o ver em Bruxelas.
– Aqui ficam algumas fotos que também irão estar em exposição no Brasil no Rio de Janeiro :

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A Exposição  fotográfica Genesis abre no Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico do Rio, terça,28 de Maio, e vão estar expostas as seguintes fotos  :
– Índios Waurá, no lago Piyulaga, no Mato Grosso, sertão do Xingu, em 2005.
– Elefante apavorado, perseguido por caçadores, na Zâmbia, no parque nacional de Kafue, em 2010.
– Vultos africanos famintos na aridez do deserto.
– Água e Fogo num poço de petróleo, a riqueza brotando das entranhas da terra.
São 245 fotos que eternizam momentos ao redor do mundo, em viagens por montanhas, desertos, florestas, tribos e aldeias.
Two men, one mission: Sebastião Salgado talks with Benedikt Taschen about the photographic project that changed his life.

Ville de Dinant

La Maison de Monsieur Sax

SAX

Un lieu magique dédié à l’inventeur du Saxophone

Adolphe Sax, le génial inventeur du saxophone, dispose désormais à Dinant, sa ville natale, d’un espace qui lui est entièrement dédié. Pas un musée, mais un Centre d’interprétation de sa vie et de son œuvre. La Maison de Monsieur Sax, c’est une invitation à découvrir un génie hors du commun, ses apports musicaux et techniques révolutionnaires, ses inventions étonnantes, ses défis perpétuels, ses succès, ses faillites et sa vie riche et mouvementée. Une occasion unique de mieux percevoir le fabuleux destin du saxophone. Et ce, à travers une scénographie originale et ludique qui ravira les yeux, mais aussi… les oreilles à travers des extraits musicaux ou des évocations sonores.

sax

MR.  SAX’S HOUSE

Since 1998, in Rue Sax, a great many tourists, passers-by, strollers, and schoolchildren have enjoyed sitting down and having themselves photographed on the bench where Mr Sax has been awaiting their company. Starting on 13 November of this year, people will also have free access to LA MAISON DE MONSIEUR SAX (Mr Sax’s House), a fun, interactive place devoted entirely to the great Dinant inventor. An opportunity to discover an extraordinary genius, his contribution to music and his revolutionary technology, his amazing inventions, the constant challenges he faced, his successes and his failures, and his full and eventful life. A unique opportunity, too, to find out more about the wonderful story of the saxophone and its status in jazz and so many other kinds of music and to encounter the “children of the saxophone” from Charlie Parker to Bill Clinton and Lisa Simpson.

Kenny Werner, Joe Lovano & BJO –  ” Dinant Jazz Festival 2011 “

Kenny Werner (piano)
JOE LOVANO – sax
Brussels Jazz Orchestra: Frank Vaganée, Dieter Limbourg, Kurt Van Herck, Bart Defoort, Kurt Van Herck (s), Serge Plume, Nico Schepers, Pierre Drevet, Jeroen Van Malderen (tp), Frederik Heirman, Lode Mertens, Ben Fleerakkers, Laurent Hendrick (tb), Peter Hertmans (g), Jos Machtel (b), Martijn Vink (dm)